Nem todo produto de embalagem faz mal. Entenda a classificação NOVA, a diferença entre processados e ultraprocessados e ganhe critério para escolher no supermercado.
A ideia de que todo produto industrializado faz mal à saúde é uma simplificação que não encontra respaldo na ciência da nutrição.
Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira — elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com pesquisadores da USP —, o fato de um alimento estar em uma embalagem não determina seu impacto na saúde. O fator decisivo é o tipo de processamento que o alimento sofreu na indústria.
Compreender essa distinção é o primeiro passo para ter critério no supermercado, sem recorrer a produtos de baixa qualidade nutricional.
A base da alimentação: In Natura e Minimamente Processados
Para classificar os alimentos segundo o impacto na saúde, o Ministério da Saúde utiliza o sistema NOVA, que categoriza os produtos de acordo com a extensão e o propósito do processamento industrial.

- Alimentos In Natura: obtidos diretamente de plantas ou animais, sem qualquer alteração após deixarem a natureza. Exemplos: a maçã fresca, a folha de alface colhida ou o peixe recém-pescado.
- Alimentos Minimamente Processados: alimentos in natura que passaram por processos simples como limpeza, remoção de partes não comestíveis, fracionamento ou congelamento rápido, sem adição de sal, açúcar ou conservantes.
Por que isso importa? Congelar um brócolis ou embalar um filé de frango a vácuo não altera a matriz nutricional do alimento. Esses produtos continuam sendo comida de verdade, fornecendo as mesmas vitaminas, fibras e proteínas, mas com uma durabilidade que viabiliza o consumo diário.
Processados e Ultraprocessados: onde está a diferença?
À medida que são adicionadas substâncias para alterar o sabor, a textura ou a durabilidade, a composição nutricional muda consideravelmente.
- Alimentos Processados: alimentos in natura aos quais foram adicionados ingredientes culinários simples (sal, açúcar, óleo ou vinagre) para aumentar a vida útil ou alterar o paladar. Exemplos: atum conservado em água ou azeite, queijos tradicionais, vegetais em salmoura (como palmito). Podem compor a rotina alimentar sem problemas, desde que o consumo total de sódio seja observado ao longo do dia.
- Alimentos Ultraprocessados: formulações industriais complexas, em que o alimento original perde quase totalmente sua estrutura e dá lugar a gorduras modificadas, açúcares e aditivos sintéticos (corantes, emulsificantes e realçadores de sabor). Exemplos: embutidos (salsichas, mortadelas, peito de peru), empanados tipo nuggets e macarrão instantâneo. O consumo frequente está associado ao aumento de processos inflamatórios e a maior risco de doenças crônicas.
Autonomia no supermercado: como avaliar o portfólio das marcas
Ter autonomia alimentar significa saber navegar pelas prateleiras e identificar que uma mesma indústria pode produzir opções para diferentes momentos e necessidades. Analisando o catálogo de marcas de grande alcance, como a Bom Todo, é possível exercitar esse critério na prática.
A base saudável (minimamente processados)

As opções mais indicadas para compor a ingestão diária de nutrientes estão nas linhas de cortes limpos e no congelamento individual (tecnologia IQF). Produtos como carnes congeladas (frango, pescados, bovinos e suínos), legumes congelados (brócolis, couve-flor e ervilhas), macaxeira congelada e frutas congeladas oferecem alta densidade nutritiva. Nesses casos, o processo industrial limita-se à higienização e ao congelamento, entregando praticidade sem perda nutricional.
O consumo esporádico (ultraprocessados)
Produtos embutidos (mortadelas, salsichas e linguiças) e os snacks empanados pertencem à categoria dos ultraprocessados. Esses itens não precisam ser banidos do cardápio, mas devem ser tratados estrategicamente como exceções, não devendo substituir as fontes de carnes magras na rotina diária.
O critério prático para a leitura de rótulos
- Acesse a lista de ingredientes: a legislação exige que os ingredientes sejam discriminados em ordem decrescente de quantidade (do item presente em maior volume para o menor).
- Avalie a composição: se a lista for curta e composta por itens reconhecíveis na culinária tradicional (ex: "filé de peito de frango" ou "cenoura, ervilha, água e sal"), trata-se de um produto de excelente qualidade. Se for longa e contiver diversos aditivos químicos (como glutamato monossódico, nitrito de sódio ou maltodextrina), trata-se de um alimento ultraprocessado, para consumo esporádico.
Alimentar-se bem não exige rejeitar o supermercado ou a conveniência da indústria. A verdadeira reeducação alimentar acontece ao utilizar a tecnologia de conservação dos alimentos a favor da saúde, aliando o preparo prático à alta qualidade nutricional.
